Arquivos
Ver arquivos anteriores

Categorias
Todas as mensagens
 NOTÍCIAS
 TEXTOS DOS DETENTOS
 ARTIGOS
 CITAÇÕES

Outros links
 O Brasil atrás das grades
 Rets - Terceito setor
 Observatório da Justiça - SINAJUR
 Centro de Mídia Independente
 Associação Mundial de Rádios Comunitárias
 Le Monde Diplomatique
 Página do Promotor de Justiça André Luis Alves de Melo
 RADIOBRÁS - Agência Brasil
 AfroPress - Agência Afroétnica de Notícias
 Marco Weissheimer - RS Urgente
 La Insignia - Diário iberoamericano
 Todas as edições do jornal RECOMEÇO
 Justiça Restaurativa - Brasília
 Jornal PRAVDA




BLOG DO RECOMEÇO
 


A Universidade não cumpre seu papel de pesquisar as causas e apresentar soluções para a violência
 
Enquanto Lula e e o governador do Rio, Sérgio Cabral, falaram bobagem em seus discursos sobre a guerra civil em São Paulo e no Rio, o ex-governador Cláudio Lembo disse algo fundamental que os políticos e autoridades deveriam refletir. Numa entrevista à Folha de São Paulo, ele confirmou que procurou estudos sobre o PCC entre os cientistas sociais e demais "cabeças pensantes" das universidades e não encontrou aquilo para o qual elas existem: estudo e apresentação de propostas pautadas na Ciência para enfrentar com inteligência a violência das nossas metrópoles.
Lula e Sérgio Cabral repetiram a mesmice da mídia viciada que abusa do termo "bandidos" como se tratassem de seres alienígenas e não seres gerados pela nossa sociedade.
Quando o repórter perguntou sobre o que encontrou de subsídios nas universidades, Cláudio Lembo respondeu:
 
" Esse é um grande defeito da nossa universidade. Ela fica estudando coisas absolutamente platônicas, românticas, estuda Antônio Conselheiro e não estuda a realidade social das grandes cidades brasileiras. Por que nenhum sociólogo foi entrevistar os presos para entender a origem e a motivação para o crime? A universidade virou novamente uma estrutura elitista isolada da sociedade."
 
Sua fala veio ao encontro do que tenho afirmado em meus modestos comentários: muita erudição nos meios acadêmicos, muito palavrório dos intelectuais, muito oba-oba nos meios artísticos, muita leitura, muita arte, muitos seminários, muitos fóruns, muita reverência aos nossos clássicos da literatura, mas na hora de pôr em prática os "conhecimentos", nada chega aonde deveria chegar: na melhoria da convivência humana para uma sociedade mais civilizada e pacífica.
Vejamos um exemplo. A obra de Graciliano Ramos é reverenciada e obrigatória entre os "cultos" amantes da literatura. Mas nenhum deles reconhece nos "presidiários" a figura do personagem Fabiano, de "Vidas Secas", nos nordestinos que acabam empurrados pela exclusão para a marginalidade. E também não vêem o significado da declaração de Graciliano quando disse em seu "Memórias do Cárcere" que um dos presos comuns em sua cela foi um dos melhores homens e amigos com quem ele conviveu em sua vida.
Enquanto nos negarmos a ver as verdadeiras causas da violência, gerada em nosso próprio meio, em nossa própria cultura, em nossa forma de fomentar a violência, nosso futuro será de, cada vez mais, animalização dos nossos "Fabianos" de Graciliano Ramos e Zumbis da nossa História, que habitam as periferias e favelas.


Escrito por Glória às 02h38
[] [envie esta mensagem
]





Novamente a hipocrisia brasileira: protestam contra a morte de Saddam Hussein e se mantêm apáticos diante da morte de nossos jovens
"A verdade, no entanto, é que a pena de morte já existe no Brasil, de maneira informal nos "Tribunais de Rua", onde jovens, pobre e negros são condenados à morte. " (Centro de Mídia Independente)
 
Homicídios,  acidentes de transporte e suicídios são responsáveis por dois terços das mortes de jovens brasileiros. Os homicídios são responsáveis por 39,7% das mortes, ou seja, temos uma pena de morte vigorando sem nem mesmo os trâmites legais dos países onde ela existe.
Enquanto isso, a sociedade e a imprensa se debruçam sobre a pena de morte de Saddam Hussein. Sou contra também, não só contra a pena de morte do ditador sanguinário como a de qualquer pessoa, por pior que seja a acusação contra seus crimes. Mas, novamente, conviver com a apatia do povo brasileiro diante da nossa mortandade de jovens brasileiros e em contrapatida uma verdadeira comoção diante do enforcamento de um só homem, estrangeiro, cujos protestos não farão a mínima diferença, é demais para minha compreensão.
 
Leiam de hoje, na Folha de São Paulo, o artigo sobre a "pena de morte" de jovens em nosso país. Você já protestou?
 
Pobres moços
JORGE WERTHEIN

Na última década, entre os jovens brasileiros, a esperança de vida, em vez de aumentar, diminui assustadoramente

NOS ÚLTIMOS dez anos, o Brasil perdeu uma geração inteira de jovens vítimas da violência, segundo mostra o "Mapa da Violência 2006", que a OEI (Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura) divulgou há poucos dias.
O estudo mostra também que, entre os jovens de 15 a 24 anos, as causas externas -como homicídios, acidentes de transporte e suicídios em conjunto- são responsáveis por 72,1% das mortes. Esse dado, sozinho, já é altamente preocupante, pois se opõe ao registrado nas últimas pesquisas nacionais, que apontam para uma melhora gradual e constante das condições de saúde e de qualidade de vida da população.
Infelizmente, na última década, entre os jovens brasileiros, a esperança de vida, em vez de aumentar, está diminuindo assustadoramente.
Se, há 50 anos, as principais causas de morte entre os jovens estavam associadas a epidemias e a doenças, nas últimas décadas, o marco da mortalidade juvenil no Brasil se deslocou para os crescentes homicídios e acidentes de transporte.
Os dados do "Mapa da Violência 2006" mostram que, entre os jovens, os homicídios são responsáveis por 39,7% das mortes, os acidentes de transporte, por 17,1%, e os suicídios, por mais 3,6%. Em conjunto, essas três causas são responsáveis por quase dois terços das mortes de jovens brasileiros. Cada um desses fatores precisa de atenção especial.
Os dados alertam para o fato de que são urgentes respostas e políticas voltadas para a preservação da vida dos jovens brasileiros.
Esse não é um problema a ser resolvido exclusivamente pelo governo federal. Os governos estaduais e municipais também têm responsabilidade na adoção de medidas integradas que combatam a exclusão social, o desemprego e a falta de oportunidades. Esses fatores estão estreitamente vinculados para a explicação da crescente violência que atinge essa parcela da população.
Os problemas de exclusão enfrentados pelos jovens são conhecidos. Porém, o mais alto grau de exclusão social está entre os jovens que não estudam nem trabalham. Segundo estatísticas do IBGE, eles representam aproximadamente 5 milhões.
Iniciativas como o Prouni, o Projovem, a criação da Secretaria Nacional de Juventude e do Conselho Nacional de Juventude e várias outras desenvolvidas pela sociedade civil são importantes, sem dúvida, mas ainda resta muito a ser feito. Experiências em outros países (como os programas de segurança cidadã de Cali e Bogotá) e mesmo no Brasil, em localidades historicamente violentas, como Diadema e Osasco, em São Paulo, e Betim, Belo Horizonte e Contagem, em Minas Gerais, provam ser possível mudar e adotar políticas inteligentes que ajudem a reduzir a violência.
Diadema, por exemplo, conseguiu reduzir pela metade a taxa de homicídio em dois anos. O segredo foi combinar programas sociais com a adoção de medidas fiscalizadoras. É importante dotar as políticas públicas, em seu conjunto, de sensibilidade para os problemas específicos dos jovens, superando decididamente o enfoque limitado de trabalho setorial e centralizado.
Equivocadamente, alguns afirmam que o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) se transforma em incentivo poderoso ao banditismo. Eis um grave equívoco. Em vez de pensar em aumentar as penas, mais valeria tentar reduzir as causas que levam ao banditismo e a tantas mortes de jovens. A verdade é que a exclusão social e a falta de presente e de futuro são as principais causas da criminalidade e das mortes violentas de tantos jovens brasileiros.
Assim, para romper definitivamente com o ciclo de exclusão e ampliar as oportunidades da juventude tanto do meio rural quanto do meio urbano, é necessária a construção e o desenvolvimento de ações integradas nas áreas de educação, trabalho, saúde, segurança, esportes e lazer, entre outras, e em diálogo permanente com os próprios jovens.
Só assim será possível salvar essa geração que se perde a cada dia.

JORGE WERTHEIN, doutor em educação e mestre em comunicação pela Universidade Stanford (EUA), é assessor especial do secretário-geral da OEI (Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura). Folha de São Paulo - 31/12/2006


Escrito por Glória às 01h49
[] [envie esta mensagem
]



 
  [ Ver arquivos anteriores ]