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BLOG DO RECOMEÇO
 


Minas Gerais é uma bomba, os vizinhos que se cuidem
 
Barragens carregadas de risco
 

Estado tem 616 depósitos de rejeitos cadastrados e quase 450 apresentam perigo ambiental. A ameaça é maior em 59, que não têm estrutura estável
 
De acordo com a diretora de Licenciamento de Atividades Minerárias e Industriais da Feam, Zuleika Torquetti, 59 documentos apontam que as barragens não estão estáveis: 27 com alto risco ambiental em potencial, 20 com risco médio e 12 com risco baixo.
 
Das barragens cadastradas na Feam, mais de 60% são de empresas de mineração e o restante de indústrias e infra-estrutura como geração de energia.

Que irresponsabilidade, que devastação, que infâmia! Quanto tempo ainda resta de vida possível neste planeta?
E que povo mais conformado, mais passivo, mais alienado! Nos noticiários, entrevistando as vítimas da tragédia, não se ouve um grito de protesto, de indignação ou mesmo de pura raiva. As pessoas expulsas de suas casas, mergulhadas na lama vermelha que desceu da barragem rompida, sem água potável, depois de perderem tudo e ainda sob o risco das doenças (especialistas discutem se há material tóxico na lama) provenientes da água que rompe os bueiros e esgotos, só são capazes de dizer: "pois é...fazer o quê?" ou então "E agora, pra onde que vou?". Meu Deus, não são capazes de dizer nem um palavão dirigido a esses canastrões que engordam suas contas bancárias a custa da destruição da vida.
 
Enquanto o estado é devastado por mais uma barreira industrial e pelas enchentes, o nosso governador Aécio Neves passa férias nos Estados Unidos. Será que vale a máxima de que cada povo tem o governante que merece?


Escrito por Glória às 23h09
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Publicado no AfroPress

Racismo e extermínio de jovens

Ariel de Castro Alves
 
A pena de morte, proibida pela Constituição Federal de 1988, está em pleno vigor nos bairros periféricos das grandes cidades brasileiras e não há interesse do Estado em esclarecer as mortes. As vítimas são principalmente jovens, do sexo masculino, com idades entre 15 e 24 anos, pobres, negros, moradores da periferia, sem antecedentes criminais, mas também sem ocupação formal, tendo em vista os altos índices de desemprego nessa faixa etária e a falta de programas sociais sérios visando garantir direitos básicos como moradia, educação, saúde, oportunidades de trabalho e geração de renda, profissionalização, entre outros.
 
A população negra também é majoritária nas prisões desumanas e superlotadas do Brasil, onde são mantidos mais de 360 mil presos, aproximadamente 138 mil em São Paulo. São maioria entre as vítimas da polícia e dos grupos de extermínio. E também são vitimadas por um sistema judiciário com predisposição racista, onde recebem penas mais altas do que brancos quando praticam os mesmos crimes nas mesmas circunstâncias.
 
O neoliberalismo brasileiro e americano se sustenta através da discriminação e da exclusão social de uma grande parcela da população, criando um cenário propício para a proliferação de homicídios e encarceramentos, visando garantir os interesses das elites econômicas e sociais. O Capitalismo exerce o controle social aprisionando e matando uma parcela cada vez mais crescente da sociedade.
 
Artigo completo Leia
 
Sobre o autor
Ariel de Castro Alves
É advogado, coordenador do Movimento Nacional de Direitos Humanos, presidente do Projeto Meninos e Meninas de Rua, assessor jurídico da Fundação Projeto Travessia, membro da Comissão da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), secretário geral do Condepe (Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana – São Paulo) e membro eleito do Conselho Nacional da Criança e do Adolescente (Conanda).
Email: ariel.alves@uol.com.br



Categoria: ARTIGOS
Escrito por Glória às 23h09
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O país do "pode tudo"
 
 
Não é enchente, é o segundo estouro da mineradora
 
É incrível o cinismo da empresa Mineração Rio Pomba Cataguases, depois de provocar o segundo acidente com barragem de rejeitos de bauxita da empresa em menos de um ano, afirmar que a causa do rompimento da barragem foram as chuvas e que irá recorrer para pôr fim à interdição decretada pelo governo mineiro.
 
E, certamente, como sói acontecer sempre neste país, vai conseguir na justiça não só pôr fim à interdição como não pagar multa nenhuma.
 
100 mil pessoas já estão sem água, e mais outras cidades no caminho da lama, a devastação em Miraí lembra uma tsunami, o rompimento da barragem afetou perto de 500 residências. Ruas e casas inteiras ainda estão cobertas de lama, mesmo com o esforço de moradores e de máquinas que tentam limpar a lama.
 
Lembrando que Miraí é a linda cidadezinha de Ataulfo Alves que inspirou o verso: "Eu era feliz e não sabia", na música "Meus tempos de criança".
Pois é, Ataulfo, ainda bem que você já se foi para não viver um tempo em que a ganância e o egoísmo humanos destróem o que vêem pela frente. Só o que importa é o lucro das empresas.

Mas a imprensa não chama essas pessoas de criminosas. São, com todo respeito, empresários. Os termos "bandidos e criminosos" a imprensa reserva só para os pés-de-chinelo.


Escrito por Glória às 14h20
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As origens reais da criminalidade
 
 
Uma excelente entrevista com Tim Cahill, pesquisador da Anistia Internacional, na Carta Maior, vem se opor ao pensamento único na mídia de tratar a segurança pública no Brasil como uma questão de endurecimento das leis penais. Na verdade, nosso sistema penal e carcerário só têm colaborado para o crescimento do crime e da violência.
 
Alguns trechos da entrevista:  
 
É um erro tratar crime no Brasil como terrorismo
 
Os governos têm que reconhecer que não será com uma lei nova ou uma declaração dada no Jornal Nacional que o problema será resolvido, e sim com uma reforma profunda e detalhada do policiamento e do sistema judicial, para se chegar a um combate mais inteligente e mais respeitoso da criminalidade.
 
A resposta do presidente Lula aos ataques, utilizando a temática do terrorismo, falando da introdução de uma legislação que vai definir esses crimes como terroristas, é uma das questões mais preocupantes desta crise. Isso nos assusta profundamente.
 
Se esta será a resposta do governo federal para confortar a população no segundo mandato, será uma traição a tudo que vem sendo prometido com a implantação do Susp e a proposta de desenvolver uma política de segurança verdadeira para a população.
 
Muitos governos têm utilizado o termo “terrorismo” para responder a suas necessidades políticas imediatas, para atingir um grupo ou outro. Isso é totalmente contrário à definição de proteção dos direitos humanos. O combate ao terrorismo têm sido, inclusive, usado como justificativa para a redução de proteções que sempre existiram, e não tem aumentado a segurança da população. Um exemplo disso foi a introdução, na Inglaterra, de um método do policiamento que permitia aos policiais atirar num momento de ameaça. Isso levou à morte do brasileiro Jean Charles em Londres.
 
Me parece que é exatamente isso que está ocorrendo no Brasil. Em vez de identificar os crimes reais que contribuem para esta violência, criam uma definição de terrorismo. Dizem, por exemplo: “queimar um ônibus é um ato terrorista”, e assim podem aumentar a pena para este crime, em vez de identificar as questões que levaram alguém a queimar o ônibus e o que precisa ser combatido no Rio de Janeiro para se conseguir resultados em longo prazo.
 
A redefinição, após tantos anos, do crime organizado no Brasil como crime terrorista vai acabar com qualquer possibilidade de entender as origens reais da criminalidade, suas causas. O que acontecerá será o aumento do número de pessoas encarceradas e nada mais. E, como temos visto em São Paulo, no Rio e em Estados como o Espírito Santo e Pernambuco, os problemas carcerários têm contribuído para a criação de facções e para o crescimento da criminalidade.
 
Entrevista completa no Carta MaiorLeia


Escrito por Glória às 22h16
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 «Só a beleza salva»
Dostoievski
     
 
Há 30 anos, um jardineiro, essa profissão maravilhosa, plantou uma hortência na frente da minha casa. Como não é uma planta comum por aqui, as pessoas perguntam quais os cuidados especiais para mantê-la. Respondo: nada! Apenas tenho amor por elas. Todos os dias de manhã, ao abrir a janela que dá para o jardim, ao vê-las, tenho a esperança de que Deus possa existir. Como Dostoievski (ou foi Nietzsche?), eu penso que só a beleza nos salva. Só a beleza da natureza e da bondade humana podem ainda nos resgatar o divino neste mundo des-humano. Enquanto minhas hortências sobreviverem, sobrevive minha esperança.
 


Escrito por Glória às 18h35
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Heterodoxia versus ortodoxia
  
Paulismar Alves Duarte*
 
Poucas pessoas se arriscam a ser intrépidas, exceto alguns que nada têm a perder. Mas ainda bem que existiram e ainda existem no mundo, outras tantas dispostas a serem heterodoxas.

Recentemente li uma poesia, onde o poeta escreve os seguintes versos: “Ah! Jamais escreveria somente por escrever! Não deixaria minhas idéias assim se perderem. Como não viveria somente por viver... Quero com meus versos ver as paixões arderem” (Mordegane, Luiz Carlos – A Magia dos Rodéis de um Velho Menino – All Print Editora 2006).

É muito cômodo ser igual a todos que o circundam. Ser bonzinho ou até bancar o samaritano, essas em sua maioria não atrairá o enfrentamento e a elas às vezes lhes é permitido a transgressão, desde que não tão grave.

Mas também essas passam pela vida de forma vegetativa. Esse tipo se dá muito bem por se submeterem a um sistema oligárquico ortodoxo. Agirá sempre com a passividade de que lhe é peculiar. Agem (ou não agem) covardemente ante a injustiça aos seus vizinhos, sem nenhuma preocupação, pois não é consigo ou com alguém que lhe é caro. São egoístas e alienadas. Ou seria a alienação o que os levariam ao egoísmo? Talvez o Freud com sua sapiência pudesse responder a este questionamento.

Que legado deixará essas à sua posteridade? Serão motivo de orgulho pelo menos para os seus familiares? Será que viverão no além túmulo com sua ‘consciência’ tranqüila com a sensação ou ilusão da missão cumprida? A quem interessa a passividade covarde?

Há nesse universo de pessoas até aquelas que não têm a tenacidade e obstinação de lutarem pelos seus sonhos ou objetivos, buscando sempre uma justificativa para si e para os demais, sempre na tentativa de não serem cobradas ou cobrarem a si mesmas, evitando a todo custo a cruel certeza do fracasso. Elas não têm condições psicológicas de perceberem o quanto são insignificantes; o quanto são o oposto do que escreveu o sábio poeta citado no início dessa reflexão.

Mas em outro universo habitam os intrépidos que aos olhos de muitos são taxados de loucos, inconseqüentes ou algo que o valha. São os alcunhados de ‘pedra no sapato’, de baderneiros irresponsáveis.

Esses tiram o sono de muitos que se julgam acima do bem e do mal. Causam repulsa a outros e são admirados por outros tantos que ouvem em suas palavras a sua própria voz. Causa regozijo nos confrangidos, pois vêem seus algozes atordoados buscando explicações e justificativas com o frenesi de findarem os incômodos.

É fato que existiram muitos que foram capazes de se doarem em prol do seu povo. Existiram e existem ainda outros que sentem a dor do outro se esse outro é esbofeteado por um fardado que deveria estar ali para protegê-lo.

Talvez a esses o poeta lhes tenha escrito aqueles sábios versos. Com certeza não viveram ou viverão somente por viver. Sua existência deixou e deixará um legado que se perpetuará por muitas gerações. Não se preocuparam com as aparências, com o convencional. Foram capazes de romperem paradigmas e inverterem a ordem posta, desafiando as oligarquias e o comodismo. Tantos pagaram com a própria vida esse despojamento e sua disposição para defenderem a liberdade e a eliminação das injustiças.

Mas a vida é mesmo assim, do contrário não estaríamos vivendo em plena democracia, livres dos grilhões da ditadura que aniquilou não somente com o corpo, mas com o intelecto daqueles que ousaram ser ousados.

E você, em que grupo se identifica?
___________________
* Paulismar Alves Duarte é assessor parlamentar e morador de São Bernardo - Publicado no CliqueABC


Escrito por Glória às 23h06
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O pensar da filha de um detento

L. M. *
 
Celas vejo a todo momento...
O tempo passa e não se sente o tempo.
A melodia do pôr do sol já não é escutada.
O belo show da vida ao entardecer
serve para embalar o sono.
Deitados, dividindo histórias.
Sonhando cada segundo com a liberdade.
Sonhando sempre com o vento beijando o rosto,
podendo abrir os braços e deixá-los livres,
sem se deparar com grades.
Sonhar é bom, mas o melhor é concretizar um sonho.
Espero que as pessoas não pensem
que a dor cessa quando deixamos você aí,
sem saber como será o passar da noite.
Os muros não impedem as pessoas de buscar
aquilo em que acreditam.
--------------------------------------------
 
* Filha de um detento depois da visita ao pai na cadeia
   No Jornal Recomeço, publicado com textos dos detentos
         



Categoria: TEXTOS DOS DETENTOS
Escrito por Glória às 18h46
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Para que tanta arma, meu Deus?
 
"Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
 Porém meus olhos
 não perguntam nada."
(Carlos Drummond de Andrade)
 
Acho que hoje Drummond perguntaria em seu famoso "Poema das sete faces": Para que tanta arma, meu Deus?
Leio no jornal que SÓ neste fim de semana, SÓ em Belo Horizonte, 12 pessoas foram assassinadas, entre essas, um menino de 13 anos. Brigas de rua, brigas de amor.
Parece que está todo mundo armado, que compram arma em "loja de 1,99". Será este o resultado do tal referendo que deu corda para os fabricantes de armas? Brigas que poderiam, no máximo, acabar em um nariz quebrado, como sempre houve nos agrupamentos humanos, todas terminam em mortes com tiros.
Um cabo da PM matou a ex-companheira de 10 anos de relacionamento e depois suicidou-se. Isso tudo dentro de um bar na frente de vários frequentadores.
Sabem, fico pensando, por que o amor tem causado tanta morte. Por que os amantes, uma vez não mais amados, ao invés de curtir um tango argentino ou uma música do Reginaldo Rossi, optam por tirar a vida da pessoa amada e as suas próprias.
Temos de passar para esses desesperados que a dor passa, é só dar um tempo. E até que, com certeza,  outros amores virão. Muitas vezes, amores melhores do que o que se foi.
E se outro amor não vier, fica a lembrança como também no poema "Memória", de Drummond:
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.


Escrito por Glória às 18h17
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Direita perde o controle da OAB
por Redação CartaCapital
 
Utilizado como instrumento político pela oposição, a entidade passa para o comando do progressista Cezar Britto
Impeachment BUSATO SAINDO
 
No dia 31, uma eleição com candidato único formaliza a troca de comando do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Sai o catarinense Roberto Busato e entra no lugar dele o sergipano Cezar Britto. A oposição perdeu um dos mais importantes redutos na luta que travou, ao longo dos anos 2005 e 2006, para antecipar, pela via legal, o fim da era Lula. Via legal, mas não necessariamente legítima.
Britto, sobrinho do ministro Carlos Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal, é um advogado trabalhista de 44 anos. Ele assume o posto máximo da entidade com posições progressistas. Fará, certamente, um contraponto ao perfil conservador de Busato, muito mais adequado, por sinal, à tradição da entidade que, em 1964, apoiou o golpe militar que derrubou João Goulart da Presidência da República.
O mais forte adversário de Britto seria Aristóteles Ateniense, atual vice-presidente. Ele anunciou, na última sessão da OAB, que estava fora da disputa. As derrotas que sofreu nas seccionais do Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Piauí e Acre foram vitais para a decisão que tomou.
Na gestão Busato, a OAB agiu como se fosse a primeira pinça da estratégia da oposição ao avançar sobre o poder. Lá se discutiu oficialmente o pedido de impeachment de Lula. Os intrépidos advogados esbarraram, no entanto, na popularidade do presidente. E dali não passaram. A segunda pinça materializou-se nas ações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que, a certa altura, propôs em tom de imposição que Lula deveria desistir da reeleição. O desfecho dessa história é conhecido.


Escrito por Glória às 01h14
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