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BLOG DO RECOMEÇO
 


PROJETO DE BLOG
(Intertexto do poema de Mário Quintana)
 
Sábias agudezas... refinamentos...
- não!
Nada disso encontrarás aqui.
Um blog não é para te distraíres
como com essas imagens mutantes de caleidoscópios.
Um blog não é quando te deténs para apreciar um detalhe
Um blog não é também quando paras no fim,
porque um verdadeiro blog continua sempre...
Um blog que não te ajude a viver
e não saiba preparar-te para a morte
não tem sentido: é um pobre chocalho de palavras.
 
Boníssimo como era, o poeta não se sentirá ofendido ou cheio de melindres pela minha intrusão ao seu belo poema PROJETO DE PREFÁCIO. É que Quintana fala do essencial: que as palavras não sejam usadas inutilmente, que nós, alfabetizados, não usemos nossos espaços  para "escrever gracinhas" e doutorês como têm feito os colunistas e intelectuais na mídia. Que não usemos nosso privilégio de termos um blog, sem que seja para pôr o dedo nas feridas do nosso semelhante. Que não nos percamos nas palavras bonitas, limpas do sangue que desce da nação sem justiça, sem compaixão, sem solidariedade humana. Que não façamos dos nossos blogs um "chocalho de palavras", deixando faltar palavras como fome e dor.
 
Evtuchenko joga dinheiro do livro no rio
 
O poeta russo Evtuchenko conta em seu livro "Autobiografia precoce" que jogou no rio Moscou todo o dinheiro que recebera pelo seu primeiro livro, quando percebeu "que ele não poderia servir a nada e a ninguém". O poeta estava numa livraria, viu um jovem folheando seu livro, depois voltá-lo para a estante e dizer à vendedora: "Não é isso o que procuro. Tenho uma amiga muito simpática que perdeu a confiança na vida. Queria encontrar algo que a ajudasse a se reencontrar, mas todos esses poemas nada dizem. São tambores sem ressonância e nada têm a ver com a vida."
 
Da livraria, o poeta saiu pela rua coberta de neve, solitário e deprimido. Encontrou homens cansados que voltavam do trabalho. Pensou no quanto esses homens não necessitavam de belas frases vazias de sentido, apenas queriam ouvir palavras simples, honestas e ternas. Pensou no quanto o jovem da livraria tinha razão sobre seu livro. Assim descreve a sua frustração:
"Todos os meus ritmos, todas as minhas metáforas esvoaçavam no vazio. Tentara escrever bem para me tornar interessante aos olhos do leitor. A beleza formal que atingi não servia senão para me tornar mais estranho a ele. Caminhei até o rio Moscou e parei para fumar um cigarro. No meu bolso, minha mão encontrou o maço de notas que havia recebido pelo meu livro. Num gesto colérico, atirei-o por cima do parapeito. O vento levou as notas que volteavam no ar, antes de desaparecerem na escuridão fria. Era um gesto infantil, certamente. Mas eu queria me libertar do salário pago às minhas mentiras. Senti-me melhor com os bolsos vazios."


Escrito por Glória às 02h10
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A SÚMULA VINCULANTE
Vera Lúcia Vassouras
 
"Que estória é esta de que “de cabeça de juiz e bumbum de nenê, ninguém sabe o que sai?”. A frase, por si mesma já é uma barbaridade."
 
Muitos falam e poucos explicam aos verdadeiros interessados, fonte e finalidade da aplicação do direito, sobre a importância da súmula vinculante. Nos Estados Unidos chamam “precedentes”. Nos países civilizados devem denominar respeito aos princípios constitucionais (artigos 1a 4 de nossa chamada Carta Constitucional).
Ora, se a Corte Superior da Nação não tem o direito de interpretar a lei no momento em que seja violada, impedindo, assim, gastos com toneladas de papéis, tinta, carimbos, dinheiro,  saúde mental, psíquica e física dos envolvidos, por quê manter uma Corte Suprema?
Qual é o problema em respeitar suas decisões? Está errada? Processem-se os ministros, retirem-nos dos cargos, façam com que indenizem os prejudicados (A Argentina está dando o exemplo com a expulsão de vários de seus ministros. Na imprensa nacional, silêncio). Manter essa orgia processual à custa do dinheiro e da vida do povo é uma ofensa àqueles que possuem o mínimo de racionalidade!
 
Vozes contrárias - vamos tapar o sol com a peneira das discussões inócuas
Que estória é esta de independência que gera várias e díspares “interpretações” legais, sobre o mesmo assunto, dependendo do status das partes em litígio e dos interesses econômicos em jogo? Que estória é esta de que “de cabeça de juiz e bumbum de nenê, ninguém sabe o que sai?”. A frase, por si mesma já é uma barbaridade. De bumbum, seja de nenê, seja de adulto, só sai uma coisa: fezes. Ora, da cabeça de um juiz não pode sair “fezes”. Deve sair desenvolvimento social, paz, harmonia, respeito. As sentenças devem concorrer para o bem-estar dos litigantes e, portanto, da sociedade como um todo. As sentenças devem agilizar a economia do país, não impedir seu desenvolvimento. Servir de exemplo e educação, não obstaculizar a circulação de valores e bens. O juiz deve ser amado, não odiado.
Vozes contrárias à súmula vinculante, afirmam que os juízes perderão sua independência. São falsas. Juiz independente é processado por despreparo ao exercício da profissão, como acontece ao juiz José Carlos de Souza, da Comarca de Dourados (MS). Que independência é essa que concorre para a matança do povo brasileiro? Que independência é essa que olvida os direitos constitucionais que deveriam influir em cada processo, desde sua distribuição? Que independência é essa que não leva em conta o interesse público inserido em cada ação, e as conseqüências da sentença para a sociedade como um todo? Que independência é essa que tem preguiça de analisar os fatos trazidos ao seu conhecimento, obrigando as partes a recorrer, indefinidamente, na busca de uma solução que geralmente chega após sua morte física? Que independência é essa em que a manifestação de um Promotor dita a sentença, o laudo de um perito é lei e o relatório social é aceito sem contradição?
 
E, concluindo, que independência é essa que visa calar a voz dos integrantes mais sábios do Ministério Público, única esperança de moralização do país?
Portanto, assim como as futuras gerações dos pobres entenderão os fatos que levaram seus familiares à morte ou ao empobrecimento, como vingança social; as futuras gerações daqueles que se consideram poderosos sentirão vergonha de tanta estupidez de seus antepassados. Aliás, historicamente, esse é o resultado da entrega do poder aos “pobres em espírito”, às águias sanguinolentas, aos néscios, aos ignorantes, aos soberbos, aos covardes.
Serão chamados de bárbaros, seres inferiores. Seus nomes serão banidos da história dos homens, pois nem um animal ousaria proibir outro da mesma espécie de fazer jus ao que lhe é de direito e, ao que parece, divertir-se diante de tanta violência real. Aliás, o homem é o único animal que consegue se divertir, enquanto ao seu lado, ali, na calçada, os cidadãos esperam uma só palavra da administração pública: justiça.
JUDICIÁRIO, DELENTA EST!


Escrito por Glória às 01h08
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Prefeito chama cidadão de "vagabundo"
 
A cena do prefeito de São Paulo expulsando e agredindo um homem numa unidade de saúde é a imagem da forma como os políticos tratam os cidadãos brasileiros: com desprezo e prepotência
 
Prefeito Gilberto Kassab se irrita, grita e expulsa manifestante de unidade de saúdeO manifestante  foi retirado da unidade sob gritos do prefeito. "Saia daqui! Respeite os doentes", dizia Kassab, que chamou o homem de "vagabundo". A prefeitura, em seu site, preferiu afirmar que "o manifestante acabou se retirando da unidade de saúde".

O homem, que foi empurrado para fora da unidade de saúde pelo prefeito, negou ter ido à unidade para protestar e disse que procurava uma consulta com um dentista. Segundo ele, o encontro com o prefeito foi uma coincidência.

De acordo com a administração municipal, a prefeitura decidiu denunciá-lo por fazer manifestação em lugar impróprio.
 
E como se tornou "moda" no país de democracia tupiniquim, o manifestante vai ser processado. Até quando o povo brasileiro suportará tanta prepotência e desrespeito ao seu direito constitucional de, ao menos, poder se manifestar contra os tiranos do andar de cima?


Escrito por Glória às 18h32
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Poesia no domingo
 
Em tempo de tanto julgamento, em que os homens se julgam "puros" e julgam constantemente seus semelhante como "bandidos", Vinícius dá seu recado:
 
Carta aos “puros
Vinicius de Moraes(1913-1980)
Ó vós, homens sem sol, que vos dizeis os Puros
E em cujos olhos queima um lento fogo frio
Vós de nervos de nylon e de músculos duros
Capazes de não rir durante anos a fio.

Ó vós, homens sem sal, em cujos corpos tensos
Corre um sangue incolor, da cor alvar dos lírios
Vós que almejais na carne o estigma dos martírios
E desejais ser fuzilados sem o lenço.

Ó vós, homens iluminados a néon
Seres extraordinariamente rarefeitos
Vós que vos bem-amais e vos julgais perfeitos
E vos ciliciais à idéia do que é bom.

Ó vós, a quem os bons amam chamar de os Puros
E vos enclausurais no instinto que vos ceva
Vós que vedes na luz o antônimo da treva
E acreditais que o amor é o túmulo do forte.

Ó vós que pedis pouco à vida que dá muito
E erigis a esperança em bandeira aguerrida
Sem saber que esperança é um simples dom da vida
E tanto mais porque é um dom público e gratuito.

Ó vós que vos negais à escuridão dos bares
Onde o homem que ama oculta o seu segredo
Vós que viveis a mastigar maxilares
E temeis a mulher e a noite, e dormis cedo.

Ó vós, os curiais; ó vós, os ressentidos
Que tudo equacionais em termos de conflito
E não sabeis pedir sem ter recurso ao grito
E não sabeis vencer se não houver vencidos.

Ó vós que vos comprais com a esmola feita aos pobres
Que vos dão Deus de graça em troca de alguns restos
E maiusculizais os sentimentos nobres
E gostais de dizer que sois homens honestos.

Ó vós, falsos Catões, chichisbéus de mulheres
Que só articulais para emitir conceitos
E pensais que o credor tem todos os direitos
E o pobre devedor tem todos os deveres.

Ó vós que desprezais a mulher e o poeta
Em nome de vossa vã sabedoria
Vós que tudo comeis mas viveis de dieta
E achais que o bem do alheio é a melhor iguaria.

Ó vós, homens da sigla; ó vós, homens da cifra
Falsos chimangos, calabares, sinecuros
Tende cuidado porque a Esfinge vos decifra...
E eis que é chegada a vez dos verdadeiros puros.


Escrito por Glória às 01h54
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