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Jamais ficarás indiferente…
 
"Pode ser tarde demais para os mortos, mas nunca é tarde para as crianças, as nossas e as suas."
Elie Wiesel - Escritor e prêmio Nobel da Paz em 1986

Todos os dias leio nos jornais sobre a morte pela violência de crianças e adolescentes em nosso país. O Brasil está exterminando a sua juventude. O extermínio está aqui. Elie Wiesel denunciou o extermínio nazista e enfatizou que seu objetivo é salvar outras vítimas de mentes fascistas que agem em todas as esferas. Apesar da tragédia do Holocausto, o mundo não foi capaz de impedir outros genocídios.
Assim caminha a humanidade... Por isso, o escritor lembra em suas obras o quanto o fascismo é insidioso e possui mil máscaras. O fascismo age do nosso lado quando permitimos a violência contra criança e todos os fragilizados, aqueles que não têm voz para se defenderem contra a exclusão que extermina.
Levantemos nossa voz. É verdadeiro o provérbio que diz: 'Para o mal triunfar, basta que os homens bons não façam nada'."
 
E Elie Wiesel completa:
O que posso fazer?
Por onde eu deveria começar?
Acho que começarei pela minha cidade,
que é o que conheço melhor.
Minha cidade porém... é tão grande!
Seria melhor começar pelo meu bairro.
Mas meu bairro também é grande.
Talvez, se eu começar pela minha rua...
Não. Começarei pela minha casa.
Não. Pela minha família.
Não!

Começarei por mim mesmo!


Escrito por Glória às 00h01
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E nós, brasileiros, ainda temos a hipocrisia de acusar os Estados Unidos pelo que acontece na prisão de Guantánamo?
 
Força Nacional é investigada por tortura
Acusação no Espírito Santo é a 1ª contra a FNS, criada em 2004 pelo governo federal para atuar nos Estados em crise

Laudos confirmam lesões em 72 presos da Casa de Custódia de Viana, cuja guarda era feita por agentes do grupo e PMs locais

Bruno Miranda - 21.jun.2006/Folha Imagem
Detentos do Espírito Santo, onde a FNS atuou e é investigada

GILMAR PENTEADO

Laudos do Departamento Médico Legal do Espírito Santo confirmam lesões em pelo menos 72 detentos que estavam na Casa de Custódia de Viana quando policiais da Força Nacional de Segurança foram deslocados para o Estado para fazer a guarda emergencial da unidade. Os agentes estão entre os suspeitos na investigação do Ministério Público.
Essa é a primeira acusação oficializada de espancamentos e tortura envolvendo policiais da FNS, criada em 2004 pelo governo federal para atuar nos Estados em situações de crise.
Dos feridos, 71% tinham lesões na parte posterior do corpo -costas, nuca e glúteos- ou em regiões que sugerem que estariam tentando se defender quando foram atingidos -antebraço, mãos, cotovelos-, e não se colocavam em posição de confronto.
Nos casos mais graves, um detento perdeu a visão do olho esquerdo, outro teve o maxilar fraturado e pelo menos três apresentavam ferimentos por arma de fogo.
Presos e familiares apontam homens da FNS e policiais militares locais como os agressores. Ao Ministério Público, os comandos das duas operações negaram os abusos.
Os exames de corpo de delito dos presos na Casa de Custódia de Viana (39 km de Vitória) foram realizados nos dias 7, 8 e 10 de julho de 2006. Vinte dias antes, homens da FNS chegaram ao Estado com a missão de atuar no sistema prisional, que passara por várias rebeliões.
Os policiais da FNS foram direto para a Casa de Custódia e assumiram a segurança da unidade -que abrigava mais de mil presos em um lugar com capacidade para 375. Boa parte dos detentos foi trazida da penitenciária de segurança máxima, no mesmo complexo, destruída em uma rebelião.
Os relatos de tortura referem-se a essa transferência dos presos, realizada pela PM do Estado, e aos primeiros dias na Casa de Custódia, quando a FNS já tinha assumido a segurança do local -no total, 170 homens da FNS permaneceram no Estado por cem dias.
Segundo o padre Xavier Paolillo, vice-presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana, presos relataram agressões cometidas por agentes da FNS, incluindo choques elétricos. "Infelizmente, naquela época, ninguém acreditou nas denúncias", disse.
Depois da denúncia feita por entidades que integram o Comitê Estadual de Erradicação da Tortura do Espírito Santo, promotores pediram os exames. Os laudos foram enviados ao Ministério Público no final de 2006. Dos 83 documentos que a Folha teve acesso, 72 confirmam as lesões.
O promotor Cézar Ramaldes Santos, coordenador do Getep (Grupo Especial de Trabalho em Execução Penal), responsável pela investigação, afirma que os laudos atestam as lesões, mas só os depoimentos devem esclarecer se houve tortura e quem foram os autores.
Segundo Santos, o grupo deve finalizar o relatório sobre o caso neste mês. Ele confirma que, nos depoimentos, os presos ora acusam policiais da FNS ora os PMs locais.

Tortura
"A Força Nacional é um instrumento importante. Mas o papel dela tem de ser melhor discutido. Se é para repetir os erros das forças estaduais, não interessa", disse Rosiana Queiroz, coordenadora-geral do Movimento Nacional dos Direitos Humanos. Segundo ela, a confirmação das lesões e do uso de instrumentos contundentes descritos nos laudos são "indícios fortíssimos de tortura".
 
Fonte: Folha de São Paulo - Seção Cotidiano - 26/02/07


Escrito por Glória às 23h36
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