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Escute, Zé-Ninguém
 
“...o grande homem, ao contrário de você, não considera que o objetivo da vida esteja na riqueza, em casamentos socialmente convenientes para suas filhas, numa carreira política ou em honras acadêmicas. Por isso, porque ele é diferente de você, você o chama de gênio ou de”doido”. Ele, por sua vez, está perfeitamente disposto a admitir que não é nenhum gênio, mas apenas uma criatura viva. Você o chama de asocial porque ele prefere ficar só com seus pensamentos a ouvir a tagarelice vazia de seus encontros sociais. 
Você afirma que ele é maluco, porque gasta dinheiro em pesquisa científica em vez de investi-lo, como você, em ações. Na sua degradação infinita, Zé-ninguém, você ousa chamar um homem simples e franco de “anormal”. Compara-o consigo mesmo, com seus medíocres padrões de normalidade e o considera deficiente. Você não percebe, Zé-ninguém, você se recusa a reconhecer que está afastando esse homem, que o ama e que só quer ajudá-lo, de toda vida social porque tanto no salão de festas quanto nos bares você a tornou insuportável. Quem o transformou no que ele é hoje depois de décadas de sofrimento desesperado? Foi você, com sua falta de escrúpulos, sua mentalidade tacanha, seu raciocínio deturpado e “suas verdades eternas”, que não conseguem sobreviver a dez anos de desenvolvimento social." (Pág. 23)
 
***
 
"Mas acredite em mim: ainda que você o fira inúmeras vezes, que lhe inflija ferimentos que não sarem jamais, mesmo que um instante após seu ato mesquinho você se esqueça do que fez, o grande homem sofre no seu lugar pelas iniqüidades cometidas por você, não porque são grandes, mas porque são mesquinhas.
Ele procura entender o que o faz com que você atire lama no marido ou na mulher que decepcionou você, atormente uma criança porque algum vizinho perverso não gosta dela, traia seus amigos, zombe dos generosos apesar de tentar obter deles o que for possível, e se encolha diante do açoite.
Ele tenta entender o que faz você tomar o que é dado, dar o que lhe é exigido, mas nunca dar com espontaneidade e amor, o que o faz pisar nos que estão por baixo ou que estão caindo; mentir em vez de dizer a verdade e perseguir não a mentira, mas a verdade. Zé-ninguém, você está sempre do lado dos perseguidores." (Pág. 25)
            
Trecho do livro: Escute, Zé-Ninguém. Wilhelm Reich. São Paulo: Martins Fontes, 1998.


Escrito por Glória às 01h17
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Até tu, Cristóvam?
 
 
Que vergonheira, a mulher do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) foi nomeada como assistente parlamentar no Senado. E já ganha por ser servidora efetiva da câmara e também uma remuneração extra no gabinete da liderança do PDT. E o "ético" senador Cristovam Buarque se justifica: “É um exagero classificar o caso (da nomeação de sua mulher, Gladys), como nepotismo”
 
Leiam a notícia nauseante publicada hoje no jornal Estado de Minas:
 
Senadores dão jeitinho para empregar parentes
Apesar dos discursos moralizadores do comando do Senado, parlamentares e servidores graduados da Casa sempre conseguem uma brecha destinada a contratar familiares sem concurso público
Fernanda Odilla
Brasília – A prática de transformar o Parlamento num condomínio familiar é antiga e, a cada vez que vem à tona, provoca indignação. Ainda assim, o Legislativo brasileiro insiste em abrigar, sem concurso, parentes de parlamentares e servidores. As denúncias que tumultuaram a Câmara na semana passada se repetem no Senado, onde também se pratica nepotismo. Em 7 de fevereiro, o Diário do Senado Federal publicou a nomeação de três parentes de senadores. O pecado, até hoje apenas imoral, não se restringe a parlamentares. Importantes funcionários da Casa também têm familiares ocupando cargos comissionados.

O senador Neuto de Conto (PMDB-SC) assumiu o cargo no lugar de Leonel Pavan (PSDB), do qual era suplente, e logo nomeou o irmão e um “parente distante”, de acordo com a assessoria do parlamentar. Nilson Neuto de Conto e Júlio César de Conto Tiezerini foram empregados no gabinete do senador conforme ato da Diretoria Geral de 10 de janeiro. Um dia antes, outro ato garantiu a nomeação da mulher do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) como assistente parlamentar. Gladys Pessoa de Vasconcelos Buarque está lotada no gabinete da liderança do PDT e, por isso, ganha remuneração extra de R$ 1,3 mil, apesar de ser servidora efetiva da Câmara.

Neuto de Conto prefere não falar sobre as contratações. Sua assessoria diz apenas que o irmão do senador deve ser exonerado em breve e que Júlio César é um “parente distante”, que trabalha diariamente no gabinete. Cristovam, por sua vez, avalia que é “um exagero classificar o caso (da nomeação de Gladys Buarque) como nepotismo”. O senador do DF esclarece que há mais de duas décadas ela trabalha no Congresso. Foi efetivada como funcionária da Câmara, mas já trabalhou com os senadores João Capiberibe (PSB-AP) e Sibá Machado (PT-AC), antes de ser transferida para a liderança do PDT, onde está há cerca de um ano, fazendo acompanhamento de mídia. “Para uma pessoa que está há 24 anos no Congresso, desde quando eu era professor, não dá para chamar de nepotismo”, argumenta, dizendo que só este ano Gladys passou a receber uma remuneração do Senado por ocupar um cargo na Casa. “Agora é lei, foi o Aldo (Rebelo, do PCdoB, ex-presidente da Câmara) que instituiu. Mas durante toda a vida recebeu salário pela Câmara.”

SERVIDORES Mas não são apenas parlamentares que praticam o nepotismo no Senado. Um dos mais importantes servidores, o secretário-geral Raimundo Carreiro fala sem constrangimento da recente nomeação do filho André Eduardo de Ávila Carreiro, publicada no Boletim Administrativo do Pessoal em 15 de fevereiro. Carreiro não vê irregularidade na contratação, nem mesmo no fato de André ser dentista e ter sido contratado como assistente parlamentar com lotação e exercício na Corregedoria. “Os cargos comissionados não exigem especialização, é livre nomeação”, argumenta Carreiro, que nesta quarta-feira toma posse como ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).

Além do filho, o futuro ministro também conseguiu emprego para a filha, Juliana, hoje lotada no gabinete de José Sarney (PMDB-AP), e a mulher Maria José, como assessora da Diretoria Geral do Senado. As duas estão no Senado desde o fim da década de 1990. “O Regulamento Interno diz apenas que elas não podem trabalhar sob minhas ordens”, defende-se Carreiro, que também tem sobrinhos trabalhando no Senado, contratados por empresas terceirizadas. “Eles eu não sei como entraram”, diz.

O diretor da Secretaria de Recursos Humanos, João Carlos Zoghbi, reforça que a lei que dispõe sobre o regimento jurídico dos servidores públicos civis da União (8.112/1990) fala sobre a contratação de parentes. Contudo, a lei limita apenas que alguém seja subordinado a um parente. Ele não é contra a nomeação, em cargos comissionados, de familiares. “Se o sistema fosse fechado, nunca teríamos uma Fernanda Torres. Em algum momento a mãe (a atriz Fernanda Montenegro) pediu por ela”, justifica Zoghbi, que tem um filho com cargo comissionado no Senado. João Carlos Zoghbi Jr. foi nomeado para trabalhar no Órgão Central de Coordenação e Execução, em dezembro do ano passado.

A secretária-geral adjunta do Senado, Cláudia Lyra Nascimento, também não vê problemas em ter parentes na Casa. Ela tem duas filhas. Marina trabalha na Comissão de Desenvolvimento Regional e Carla está lotada na liderança do PMDB no Senado. “Não fui eu quem pedi nem indiquei. Mas sempre disse que elas tinham que trabalhar dobrado, justamente por causa da cobrança e dos comentários”, argumenta Cláudia.


Escrito por Glória às 22h18
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                                                      Quem ainda não leu, devProdutoe correr atrás do livro "ESCUTE, ZÉ-NINGUÉM" de Wilhelm Reich.
"Escute, Zé-ninguém!" é a fala esclarecedora de um grande médico a cada um de nós, o ser humano médio, o zé-ninguém. Reich pede que olhemos com honestidade para nós mesmos e que assumamos responsabilidade por nossas vidas e pelo grande potencial ainda não utilizado que está no fundo da natureza humana. Ao mesmo tempo, mostra o quanto os déspotas, fascistas, são apenas zés-ninguém tentando transformar o mundo numa sociedade autoritária nos afastando da essência humana que faz valer a vida.
 
Escute, Zé-Ninguém!
Wilhelm Reich
 
Você teria derrubado os tiranos há muito tempo se no seu íntimo estivesse vivo e em perfeita saúde. No passado, seus opressores provinham das classes mais altas da sociedade, mas hoje elas provêm da sua própria camada.
São ainda mais zés-ninguém do que você, Zé-ninguém. Precisam ser mesmo muito pequenos para conhecer sua desgraça a partir da própria experiência e, com base nesse conhecimento, oprimi-lo com mais eficácia e mais crueldade do que nunca.
Você não sabe discernir, não sabe sentir quem é o homem verdadeiramente grande. O caráter dele, seu sofrimento, sua paixão, sua fúria e sua luta por você são estranhos a você. Você não se dá conta da existência de homens e mulheres que apresentam uma incapacidade inata para oprimi-lo e explora-lo, homens e mulheres que querem que você seja livre, real e verdadeiramente livre.
Você não gosta desses homens e dessas mulheres porque são estranhos à sua natureza. São simples e francos; valorizam a verdade tanto quanto você valoriza a trapaça. Eles olham para você, não com desdém, mas com tristeza diante da condição humana; no entanto, a percepção de que está sendo olhado lhe dá uma sensação de perigo. Você só reconhece a grandeza desses homens, Zé-ninguém, quando muitos outros zés-ninguém lhe dizem que eles são grandes.
Você tem medo de grandes homens, da sua intimidade com a vida e do seu amor pela vida. No entanto, o grande homem o ama como amaria qualquer outro animal, como criatura viva. Ele não quer que você sofra, como vem sofrendo há milhares de anos. Não quer que você diga disparates, como vem dizendo há milhares de anos. Não quer que você viva como um burro de carga, porque ele ama a vida e deseja que ela seja isenta de sofrimento e humilhação.   


Escrito por Glória às 03h25
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Wilhelm Reich
 
Considerado gênio por alguns e louco por outros, o austríaco Wilhelm Reich foi o maior revolucionário da Psicologia deste século. Pioneiro da Revolução Sexual, precursor dos movimentos ecológicos e da psiquiatria biosocial, Reich desenvolveu também artefatos usados na cura do câncer e na diminuição dos efeitos negativos da energia nuclear.
A sua mais importante contribuição, que revolucionou toda a Psicologia, foi provar que a neurose é produzida socialmente, instalando-se em todo o corpo e não apenas na mente das pessoas. O conceito de couraça neuro-muscular do caráter mostra como a neurose se dá através da estagnação da energia vital. No livro "A Função do Orgasmo", Reich coloca que o orgasmo sexual pleno e satisfatório é o regulador biológico da harmonia vital. Militante socialista, despertou a atenção para o fato de que as neuroses eram provocadas pelo desvio da originalidade das pessoas, através de bloqueios à sexualidade e à afetividade, portanto um fenômeno sócio-político. A partir daí, passou a dar um novo enfoque a Psicologia, centrado no indivíduo, seu corpo e suas relações sociais.
Wilhelm Reich foi expulso da sociedade Psicanalítica por divergências teóricas e ligações com a política; e também do Partido Comunista por suas denúncias contra o autoritarismo reinante. Perseguido pelo nazismo, após percorrer vários países europeus, se instala nos Estado Unidos, onde passa a pesquisar fenômenos climáticos, caixas de acumulação de orgônio, etc.
Em 1956, Reich é detido por se recusar a comparecer ao Tribunal para comprovar os efeitos terapêuticos dos acumuladores. Um ano após sua prisão, Reich morre na cadeia deixando um legado para as gerações futuras que ainda surpreendem-se com sua originalidade e rebeldia.
 


Escrito por Glória às 03h22
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