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Walt Whitman
Destino-me àqueles que jamais foram dominados,
Aos homens e mulheres cuja disposição jamais foi dominada,
Àqueles que as leis, teorias, convenções jamais poderão dominar.
 
   
 
A partir desta hora, ordeno a mim mesmo: liberta-te dos limites e das linhas imaginárias,
Irei aonde eu quiser, senhor total e absoluto de mim mesmo,
Escutarei os outros, examinarei atentamente o que dizem,
Deter-me-ei, aceitarei, meditarei.
E mansamente, mas com vontade indomável,
hei de me esquivar aos compromissos que me queiram aprisionar.
Aspiro grandes golfadas de espaço.
O leste e o oeste me pertencem, o norte e o sul me pertencem
Sou maior e melhor do que eu pensava
Eu não sabia que em mim continha tantas coisas boas.
Tudo me parece admirável.
Posso sem cessar repetir aos homens e mulheres.
Vós me fizestes tanto bem que eu desejaria outro tanto devolver-vos.
Quero ao largo dos caminhos absorver forças novas para mim e para vós.
Eu me dispersarei entre os homens e as mulheres do meu caminho,
Espargirei uma alegria e uma nudez novas entre eles,
Se alguém me repelir, não me perturbarei,
Quem me aceitar, ele ou ela, por mim será bendito e me abençoará.
 
(Meu trecho preferido do Canto da Estrada Real)


Escrito por Glória às 01h37
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Walt Whitman (1819- 1892) é tido como um dos maiores poetas da literatura mundial. Publicou um único título "Folhas de relva", com várias edições às quais ia acrescentando mais poemas.
Ralph Waldo Emerson, em carta a Whitman na época, escreveu que Folhas de relva era "a mais extraordinária obra de engenho e sabedoria que os Estados Unidos da América jamais ofereceram".
Fernando Pessoa dedicou-lhe um poema soberbo "Saudação a Walt Whitman", com os mais belos versos de um poeta a outro poeta:
 
PORTUGAL-INFINITO, onze de junho de mil novecentos e quinze ...
Hé-lá-á-á-á-á-á-á!
De aqui de Portugal, todas as épocas no meu cérebro,
saúdo-te, Walt, saúdo-te, meu irmão em Universo,
Eu, de monóculo e casaco exageradamente cintado,
Não sou indigno de ti, bem o sabes, Walt,
Não sou indigno de ti, basta saudar-te para não o ser...
Eu tão contíguo à inércia, tão facilmente cheio de tédio,
Sou dos teus, tu bem sabes, e compreendo-te e amo-te,
E embora te não conhecesse, nascido pelo ano em que morrias,
Sei que me amaste também, que me conheceste, e estou contente,
Sei que me conheceste, que me contemplaste e me explicaste,
Sei que é isso que eu sou, quer em Brooklyn Ferry dez anos antes de eu nascer,
Quer pela Rua do Ouro acima pensando em tudo que não é a Rua do Ouro,
E conforme tu sentiste tudo, sinto tudo, e cá estamos de mãos dadas,
De mãos dadas, Walt, de mãos dadas, dançando o universo na alma.
(...)
Abram-me todas as portas!
Por força que hei de passar!
Minha senha? Walt Whitman!
Mas não dou senha nenhuma...
Passo sem explicações ...
Se for preciso meto dentro as portas...
Sim. Eu, franzino e civilizado, meto dentro as portas
Porque neste momento não sou franzino nem civilizado,
Sou EU, um universo pensante de carne e osso, querendo passar,
E que há de passar por força, porque quando quero passar sou Deus!


Escrito por Glória às 01h36
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Os plásticos
 
Assim como Alfred Hitchcock fez "Os Pássaros" em 1963, algum cineasta deveria fazer atualmente um filme "Os plásticos". Imaginem a visão de bilhões de sacos plásticos voando, invadindo as cidades, as ruas, as casas, se enroscando nos pescoços, nas gargantas... O filme faria as pessoas verem o que está aí, bem próximo, e não querem enxergar: a plasticomania.
 
 
 
Planeta asfixiado
Arnaldo Godoy*

São 500 bilhões de sacos plásticos produzidos anualmente. Luta contra a plasticomania ganha força na Europa

Em maio, a Organização das Nações Unidas (ONU) publicará novo relatório assinalando que os efeitos da mudança climática serão ainda mais graves do que os especialistas haviam previsto. Não restam mais dúvidas de que o futuro chegou. Nossa ânsia consumista antecipou o desgaste do meio ambiente em muitos séculos e não há como se omitir de ações que evitem a catástrofe que se desenha. Urge abolirmos completamente o uso dos sacos plásticos.
 
Desde a década de 1980, tudo o que é comprado no supermercado, na farmácia ou na venda da esquina já é automaticamente embalado. E nos tornamos dependentes. A matéria-prima dessas sacolas é o plástico filme, a partir do polietileno de baixa densidade (PEBD). No Brasil, anualmente, são produzidas 210 mil toneladas de plástico filme, que representam 9,7% de todo o lixo do país.
 
Jogados nos bueiros, esses sacos entopem as redes de esgoto (causando enchentes) e dificultar a compactação e decomposição dos detritos nos lixões. Ademais, não são biodegradáveis, levando até 400 anos para desaparecerem no meio natural. São feitos daquilo que a ciência orgulhosamente chama de “moléculas inquebráveis”. Não bastasse, milhares de animais marinhos, incluído tartarugas em vias de extinção, todos os anos morrem sufocados com sacos plásticos confundidos com comida.

A luta contra a “plasticomania” que assola o planeta (500 bilhões de sacos plásticos produzidos anualmente) ganhou importantes aliados entre governos europeus. Na Alemanha, por exemplo, quem não anda com sua própria sacola a tiracolo é obrigado a pagar uma taxa extra pelo uso dos sacos plásticos nas lojas; na Irlanda, desde 1997, se paga um imposto de nove centavos de libra por uma sacola de plástico (plastax), o que provocou a diminuição de seu consumo em 90% e permitiu angariar fundos para projetos de gestão de lixo. Já no Reino Unido, uma rede de supermercados atraiu a atenção dos consumidores com uma campanha ecológica original, de oferecer seus produtos embalados em plástico que se decompõe 18 meses depois de descartados. Esse material, mesmo sem contato com a água, serve de alimento para microorganismos presentes na própria natureza.
 
No Brasil, a questão caminha a passos tímidos. O estado do Paraná quer aplicar lei de crime ambiental contra supermercados que não adotem alternativas ao uso de sacolas plásticas. A discussão ganhou corpo em Maringá e Curitiba, com programas que prevêem a substituição de sacolas plásticas por sacos de lixo biodegradáveis ou retornáveis. Há pouco menos de 30 anos, as pessoas usavam sacolas de lonas ou de palha para fazer a feira e as farmácias embalavam remédios com singelos, mas recicláveis, pacotes de papel. Depois, a praticidade do plástico tomou conta de tudo, mas nem por isso nos tornamos mais felizes.
 
*Vereador em Belo Horizonte, integrante dos conselhos municipais de Juventude e do Patrimônio
Fonte: jornal Estado de Minas - 29 de março de 2007



Escrito por Glória às 15h17
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Isto é incrível!
Como vimos esses dias, nem o promotor, que assassinou um jovem por mexer com sua namorada, foi demitido. O governo é o melhor patrão do  mundo, generoso ao extremo, daí que seus servidores (sic) levarão um baita susto com esta notícia sobre um "nobre colega" demitido.
 
Governo demite 1º funcionário público por denúncia do Coaf
 
A CGU (Controladoria Geral da União) vai demitir hoje o primeiro funcionário público federal investigado a partir de comunicação do Coaf (Conselho de Controle das Atividades Financeiras), segundo a Folha apurou.
A sindicância aberta contra Manoel de Souza Lima Neto, que ocupou, em 2001 e 2002, no governo FHC, o cargo de subsecretário de Planejamento e Orçamento do Ministério do Trabalho, comprovou que ele se valeu de cargo público para obter benefícios para terceiros e que teve aumento patrimonial desproporcional à sua renda. A portaria com a demissão será publicada hoje no "Diário Oficial" da União.
O comunicado que o Coaf enviou à CGU informa que Lima Neto e sua mulher fizeram transações financeiras com uma pessoa humilde, chamada Francisco Antonio do Amaral, superiores a R$ 1 milhão. Essa quantia, segundo a CGU, é incompatível com o patrimônio e a ocupação profissional dos três.
Manoel Neto é funcionário de carreira da administração federal concursado como técnico de Planejamento e Orçamento.
 
(Fonte: Folha de São Paulo - 27/03/07)


Escrito por Glória às 02h00
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Saiu no jornal Estado de Minas, seção Cartas dos Leitores. Muitas vezes, os leitores escrevem coisas mais interessantes e verdadeiras do que o próprio jornal:
 
TJMG privilegia mais o corporativismo dos bacharéis do que os pobres

Júlio Roberto Siqueira, Belo Horizonte - 26/3/07

“É um equívoco do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG) suspender processos, devido à greve da Defensoria Pública, pois deveria nomear advogados dativos. Na verdade, a decisão do TJMG privilegia mais o corporativismo dos bacharéis do que os pobres. Inclusive a Defensoria tem atendido sem comprovar a carência de seus clientes, apesar de a lei exigir tal requisito. A Defensoria é um órgão de defesa do pobre em que ele nada manda. É como criar um órgão de defesa da mulher, comandado só por homens.
Outro absurdo: a Defensoria vem tentando dificultar que faculdades, municípios e ONGs prestem serviço de atendimento jurídico aos carentes, ou seja, o defensor quer ter monopólio do pobre.
Concluindo, pobre virou moeda de barganha de interesses de terceiros.
 
O defensor, que já faz parte de uma elite, quer agora mais privilégios e ganhar R$10 mil por mês, enquanto o pobre continua na mesma. Melhor seria criar os juizados especiais de família, mas isso não interessa ao meio jurídico.”


Escrito por Glória às 19h01
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Blefe à vista!!!
 
Essa história do etanol é um blefe. Não podemos nos transformar em um deserto de canaviais, porque a cana-de-açucar está substituindo à produção de alimento, como no caso do Mato Grosso, onde pecuaristas abandonam a criação para produzir álcool.
Já se comprovam danos ambientais, na ânsia de se produzir mais. Árvores estão sendo abatidas nas florestas e serão substituídas por cana, avançando por hectares de preservação ou de produção de grãos.
O simples anúncio de aumentar a produção de álcool está carreando para São Paulo levas de migrantes nordestinos. Daqui a pouco estaremos com novos problemas sociais nas cidades do interior. E a produção em que haja o sacrifício dos trabalhadores ou o risco ambiental eliminará o álcool brasileiro do consumo internacional.
Atender os interesses dos Estados Unidos em detrimento de uma produção agrícola mais rendosa como trigo, soja etc., é uma burrice inominável. O etanol acabará explodindo o futuro do país!
 
Marcelo Pimentel, Advogado em Brasília, ex-ministro do Trabalho, ex-presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST)


Escrito por Glória às 13h58
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Ironia da história
Maurício Pessoa, Jornalista

Boa parcela da produção do álcool é extraída dos canaviais pela mão-de-obra escrava. Na realidade, essa história de a cana-de- açúcar abastecer de álcool carros nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia não passa de amarga ironia da história.
 
O álcool, agora chamado de etanol, subiu à cabeça das autoridades brasileiras e dos usineiros, com o súbito interesse norte-americano, europeu e japonês, para auxiliar no combate ao aquecimento global. A tecnologia nacional é importante e foi desenvolvida no governo Geisel, numa época em que os produtores de óleo diesel impunham ao mundo tarifas e preços que ameaçavam paralisar as economias, tão grandes eram as restrições à produção, secularmente explorada por grandes multinacionais do petróleo, São outros os tempos e o álcool brasileiro se vê, repentinamente, com a responsabilidade de tracionar o desenvolvimento em escala global, prevendo-se investimentos de centenas de milhões de dólares e de euros na produção do biocombustível.

Otimista, o presidente Lula chegou a classificar os usineiros na condição de heróis, logo eles que passaram a vida explorando a força de trabalho dos bóias-frias e vivendo às custas do erário, numa relação que se aproximava da chantagem. O embaixador brasileiro na Inglaterra, José Maurício Bustani, escreveu ao jornal The Guardian, rebatendo informações de que a produção brasileira de álcool é sustentada por 200 mil cortadores de cana, quase todos submetidos à degradação do trabalho escravo.

A verdade é que boa parcela da produção do álcool é extraída dos canaviais pela mão-de-obra escrava, havendo registros da existência de mais de 100 mil trabalhadores nessas condições, entre adultos e crianças, somente em Pernambuco. Vivem em condições desumanas, são remunerados com cachaça, e os pais de família, por não acreditarem em quaisquer soluções para as tristezas da vida, contaminam seus filhos, crianças que a golpes de foice vão construindo seus destinos. O jornal inglês não publicou novidade, mesmo porque a primeira denúncia de trabalho escravo nos canaviais foi feita em 1971, pelo bispo dom Pedro Casaldáliga, que se viu ameaçado de morte e severamente perseguido pela repressão da ditadura militar. Foi o amparo às suas idéias pela imprensa européia que o salvou das tocaias, uma das quais há três anos abateu com cinco tiros a missionária americana Dorothy Mae Stang, no Pará, vítima da mesma luta.

Quem são os modernos senhores de escravos? Há duas classificações. A primeira é representada pelas multinacionais, cujo capital não tem pátria e com executivos permanecendo no anonimato, protegidos por constantes transferências para outros países. A segunda é formada por usineiros armados, que recrutam trabalhadores desprovidos de qualificação, mas dotados de força física para o corte de cana, ao longo de 16 horas diárias. O aumento da produção do álcool em 55% não deve ser considerado a chave do portão do desenvolvimento. Na realidade, essa história de a cana-de- açúcar abastecer de álcool carros nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia não passa de amarga ironia da história.
 
( Fonte: jornal Estado de Minas - 26/3/07 - seção Opinião)


Escrito por Glória às 13h43
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