Champinha Pimenta neves Promotor Igor Promotor Thales
Assassino preso? Depende da classe
"Assassino vai para unidade de saúde da Febem" é o título, na Folha de São Paulo, de mais uma matéria sobre o Champinha, um dos que participaram do assassinato do casal de namorados Liana Friedenbach e Felipe Caffé.
Falar em assassino, onde está o jornalista Pimenta Neves que assassinou sua namorada Sandra Gomide? Por que será que não vão atrás dele como fazem com o Champinha? A justiça não poderia enviar o Pimenta Neves ao menos uns três anos para a Febem?
Onde está o promotor Thales Ferri Schoedl que matou um jovem porque mexeu com a sua namorada? Além de não estar preso, ele continua no cargo.
E promotor Igor Ferreira, caso emblemático de impunidade que, em 1998, matou a tiros a sua mulher, Patrícia Longo, grávida de sete meses. Sumiu e ninguém vai atrás.
Será que é porque Champinha é negro, pobre e analfabeto? (que pergunta mais óbvia!)
A seletividade do Sistema Penal no Brasil é uma vergonha. E a imprensa é conivente com essa infâmia.
Até quando este país será o paraíso dos criminosos de colarinho branco?
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Leiam sobre o promotor Thales Ferri Schoedl que voltou a receber os salários e demais vantagens e ainda reclama na Justiça o pagamento de R$ 284.352 de salários atrasados.
O promotor Thales Ferri Schoedl, acusado de matar um e ferir outro jovem em Riviera de São Lourenço, no litoral de São Paulo, permanecerá nos quadros do Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
Em reunião nesta terça-feira, o Conselho Superior do MP paulista rejeitou, por cinco votos a quatro, a proposta de não vitaliciamento de Schoedl, mas ainda cabe recurso da decisão. O corregedor poderá recorrer ao Órgão Especial do Conselho de Procuradores do MP de São Paulo, formado por 42 procuradores, a quem caberá a decisão final.
Em dezembro de 2004, Ferri Schoedl disparou 12 tiros com uma pistola semi-automática calibre 380 em dois jovens. Felipe Siqueira levou quatro tiros, mas sobreviveu; Diego Mondanez morreu na hora.
Schoedl havia sido exonerado do MP, mas em maio de 2006, o promotor conseguiu Mandado de Segurança do Tribunal de Justiça de São Paulo para afastar a exoneração. O pedido foi aceito pelo Órgão Especial do TJ. O TJ paulista confirmou a liminar e permitiu que Schoedl voltasse ao cargo, mas sem exercer suas funções. A ação foi ajuizada pela defesa dele em janeiro do ano passado. No mesmo mês, o desembargador Canguçu de Almeida, vice-presidente do TJ, acolheu o pedido de liminar e o então o promotor voltou a receber os salários e demais vantagens. O promotor reclama na Justiça o pagamento de R$ 284.352 de salários atrasados.
(Informações com a Revista Consultor Jurídico)
Escrito por Glória às 02h50
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Episódio lamentável
Transcrevo o artigo do Paulo Coelho, hoje, na Folha de São Paulo, no qual ele diz exatamente o que penso do episódio em que Roberto Carlos impediu a circulação do livro com sua biografia. Lamentável tudo no episódio: a atitude infantil do cantor, a subserviência do autor do livro, o disparate da editora e a decisão da justiça que, ultimamente, vem praticando a censura contra livros. Interessante que a justiça não se manifesta diante dos horrores da nossa televisão, que expõe nossa população a programas que só contribuem para o cinismo e a violência neste país.
O que é "contexto desfavorável"?
PAULO COELHO
Tenho grande admiração por Roberto Carlos. Continuarei comprando seus discos, mas estou chocado com sua atitude infantil
TENHO UMA grande admiração por Roberto Carlos -recentemente, um dos mais importantes programas da BBC Radio me perguntou a lista de cinco discos que eu levaria para uma ilha deserta, e incluí um dos seus. E, apesar dos problemas normais decorrentes de uma relação profissional, tenho um grande respeito pela editora Planeta, que publica minhas obras no Brasil e em vários países de língua espanhola. Dito isso, é com grande tristeza que leio nos jornais que, na 20ª Vara Criminal da Barra Funda, em São Paulo, os advogados do cantor Roberto Carlos e da editora Planeta fizeram um acordo que prevê a interrupção definitiva da produção e comercialização da biografia não-autorizada "Roberto Carlos em Detalhes", do jornalista e historiador Paulo Cesar Araújo. O editor diz um disparate para salvar a honra, o cantor não diz nada e o autor fica proibido de dar declarações a respeito. E estamos conversados. Estamos conversados? Não, não estamos, e tenho autoridade para dizer isso. Tenho autoridade porque, desde que publiquei meu primeiro livro, tenho sido sistematicamente atacado. Creio que qualquer pessoa em seu juízo normal sabe que, a partir do momento em que sua carreira se torna pública, está exposta a ter sua vida esquadrinhada, suas fotos publicadas, seu trabalho louvado ou enxovalhado pelos críticos. Isso faz parte do jogo e vale para escritores, políticos, músicos, esportistas. Nem sempre essas críticas são justas e, muitas vezes, descambam para ataques pessoais. Recentemente, um jornalista da mais importante revista brasileira disse que "Paulo Coelho não é apenas mais um mau escritor: seu obscurantismo é nocivo. Não se deve perdoá-lo pelo sucesso". Não sei o que estava propondo com essa frase, e não me interessa. Poderia alegar que minha honra está sendo atacada, que me acusa de ser um perigo para meu país, que deseja que eu seja preso. Mas vejo essas diatribes com outra ótica: elas fazem parte do jogo. A única coisa que não faz parte do jogo é a calúnia, e, pelo que me consta, isso não foi tema da ação judicial que levou à proibição de "Roberto Carlos em Detalhes". Até hoje, desde que publiquei "O Diário de um Mago", há 20 anos, vi milhares de críticas negativas, mas apenas duas ou três calúnias a meu respeito, graças a Deus. Não me dei ao trabalho de contra-atacar porque não achei que valia a pena, embora me reserve esse direito se algo muito sério acontecer. Recentemente, em um jornal espanhol de primeiríssima linha, simplesmente inventaram uma resposta a uma pergunta a que havia me recusado responder. Claro, enviei uma carta ao diretor, e o jornalista teve que arcar com as conseqüências. Estou pronto para defender minha honra, mas não vou perder um minuto do meu dia telefonando para um advogado e procurando saber o que faço para defender minha vida privada, já que ela não mais me pertence. Diz o velho ditado: "Quem está no fogo é para se queimar". Eu acrescento: Quem está no fogo é para ajudar a fogueira a brilhar mais ainda. Não adianta o meu editor declarar que fez o acordo "porque o contexto era desfavorável". Ele precisa vir a público explicar qual é esse contexto -ou seja, se estamos falando de calúnia. Neste caso, tem meu apoio integral, pois calúnia é sinônimo de infâmia. Mas, caso contrário, está colaborando para que comece a se criar um sério precedente -a volta da censura. Roberto Carlos tem muito mais anos na mídia do que eu; já devia ter se acostumado. Continuarei comprando seus discos, mas estou extremamente chocado com sua atitude infantil, como se grande parte das coisas que li na imprensa justificando a razão da "invasão de privacidade" já não fosse mais do que conhecida por todos os seus fãs. Também continuarei sendo editado pela Planeta, pois temos contratos assinados. Mas insisto: gostaria que minha editora, dinâmica, corajosa, se instalando agora no Brasil, explicasse a todos nós, brasileiros, o que significa esse tal de "contexto desfavorável". Desfavorável é fazer acordo a portas fechadas, colocando em risco uma liberdade reconquistada com muito sacrifício depois de ter sido seqüestrada por anos a fio pela ditadura militar. E não entendo por que você, Paulo Cesar Araújo, "se comprometeu a não fazer, em entrevistas, comentários sobre o conteúdo do livro no que diz respeito à vida pessoal do cantor" (Ilustrada, 28/4). Não é apenas o seu livro, cujo destino foi negociado entre quatro paredes, que está em jogo. É o destino de todos os escritores brasileiros neste momento. Não sei se vou ter as explicações que pedi. Mas não podia ficar calado, porque isso que aconteceu na 20ª Vara Criminal da Barra Funda me diz respeito, já que desrespeita minha profissão de escritor.
PAULO COELHO , 59, escritor e compositor, é membro da Academia Brasileira de Letras. É autor de, entre outros livros, "O Alquimista" e "A Bruxa de Portobello".
Escrito por Glória às 00h17
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A polícia de Aécio continua matando
Enquanto isso, Aécio está nos Estados Unidos negociando etanol com os americanos
Aécio está em Nova York para consolidar o projeto de um centro de inteligência para a produção de etanol. O governador está empolgado: "Nós queremos saltar adiante, fazendo de Minas Gerais a maior referência, isso fora do Brasil, na busca de produtividade e de qualidade para combustíveis alternativos”.
Não é uma beleza de governador? Agora os mineiros pobres terão uma alternativa diante da profecia de ou irem para a prisão ou morrerem assassinados: vão plantar cana para introduzir o etanol definitivamente na vida dos Estados Unidos.
Enquanto isso, em Belo Horizonte:
Família de universitário morto pede, ao menos, justiça
Manifestantes pedem punição
Há um ano, a família e amigos do universitário Rodrigo Luiz Corrêa Medina, de 20 anos, baleado quando tentava escapar de uma briga durante festa de confraternização de alunos do ensino médio, num sítio de Contagem, na região metropolitana, pedem punição do policial suspeito, que aguarda julgamento em liberdade e continua trabalhando no 18º Batalhão da PM, em Contagem.
A mãe do jovem assassinado conta emocionada: "Ele cursava educação física, na UNI-BH, só faltava um ano para Rodrigo se formar”.
O jornal informa: "O assessor de comunicação da PM, major Ricardo Matos Calixto, informou que, independente do processo judicial, que tramita em Contagem, há um inquérito administrativo que vai julgar a permanência ou não do sargento na corporação. A decisão, segundo ele, deve ser tomada pelo Comando Geral da PM nos próximos dias", isso depois de um ano do assassinato.
E então, governador, para que etanol, para que progresso econômico, para que dolar se, em Minas Gerais, o estado mata nossos jovens? Será que o governador não sabe que as famílias mineiras, tal qual as mães da Praça de Maio, na Argentina, choram a morte de seus filhos e não têm a quem recorrer? Se o senhor não comanda bem a sua polícia, conforme estabelece a Constituição Federal, como pretende comandar uma nação em 2010?
Escrito por Glória às 16h49
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"Sujeito que pensa que é importante dá pena. Não é nada."
Oscar Niemeyer
Não aprecio a arquitetura de Oscar Niemeyer (embora isso seja visto como uma heresia), mas adoro o ser humano Niemeyer por sua simplicidade, seu senso de justiça, seu posicionamento pelos excluídos. Lindo quando ele fala do avô materno, que era ministro do Supremo Tribunal Federal e, ao morrer, deixou apenas a casa em que a família morava. Esta sua frase define bem sua humildade e honestidade, virtudes tão em baixa em nossa sociedade.
Escrito por Glória às 02h39
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A polícia de Aécio Neves mata
“Mataram como se mata um cachorro”, disse um dos parentes. Em Minas Gerais, em plena capital Belo Horizonte, a polícia de Aécio Neves é desgovernada. Um grupamento de policiais militares do 22º Batalhão invadiu a casa do montador de outdoors Ozires Rosa dos Santos, de 27 anos, e o matou com 25 tiros na frente de familiares e amigos.
O Art. 144, § 6º, da Constituição Federal diz que "As polícias militares e corpos de bombeiros militares, forças auxiliares e reserva do Exército, subordinam-se, juntamente com as polícias civis, aos Governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios.
O tenente-coronel Dias, comandante do 22º Batalhão, disse que tomou conhecimento do fato e vai abrir sindicância para apurar as denúncias. Segundo ele, se ficar comprovado "exagero" por parte dos militares, eles serão punidos. É sempre assim, suavemente, que recebem as denúncias, com o eufemismo de "exagero". Matar é apenas um "exagero"?
Conclusões
1 - Quem é o culpado?
O culpado é quem comanda e pela Constituição Federal, a polícia é comandada pelo GOVERNADOR DO ESTADO. Portanto, o governador Aécio Neves é o responsável por essas mortes.
2 - Temos pena de morte no país
Certamente, como sói acontecer, dirão que o rapaz era "bandido" e está concluída a apuração. E a execução é rápida, não há nem os ritos legais que cercam a pena de morte nos países onde ela existe oficialmente.
3 - Para quê Justiça neste país?
Se não há mais julgamento, se a polícia tem ordem do governador para matar quem ela "acha" que deve matar, para que manter uma justiça "caríssima", cujos membros são mantidos em cortes a anos-luz de distância do povo, que é assassinado dentro de suas casas?
4 - A sociedade dá de ombro
O Art. 144 da CF reza também que "A segurança pública é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos", portanto cabe a nós, cidadãos, defender a sociedade, porque hoje foi um operário dentro de sua casa, amanhã pode ser qualquer um de nossos filhos.
Não entendo este meu país. Faz alguns anos um jovem brasileiro foi morto pela polícia inglesa. Durantes dias, semanas, meses, a imprensa e a sociedade se debruçaram sobre o episódio, exigindo "justiça" do governo inglês. Mas quando milhares de brasileiros são mortos todos os anos pela nossa polícia, as autoridades brasileiras não são cobradas. Continuam em seus palácios gerindo negócios, indiferentes à atual ditadura, muito pior que a outra que matou cerca de 300 presos políticos.
Escrito por Glória às 18h57
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A palavra
No meio de tanto blablablá que não leva a absolutamente nada, Graciliano Ramos, com aquela verdade que marca sua obra, diz tudo: “A palavra não foi feita para enfeitar, para brilhar como ouro falso. A palavra foi feita para dizer.”
Escrito por Glória às 19h55
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